O que faz um gestor de resíduos no dia a dia

Por trás de cada tonelada de resíduo que segue para a destinação correta — reciclagem, compostagem, coprocessamento — existe um profissional que planejou, coordenou e garantiu que isso acontecesse. Esse é o gestor de resíduos, uma das carreiras que mais cresce no Brasil à medida que a legislação ambiental se torna mais rigorosa e as empresas precisam demonstrar responsabilidade na gestão dos seus rejeitos.

Pouco conhecido pelo grande público, o gestor de resíduos é peça-chave na transição para a economia circular. Seu trabalho começa antes do resíduo ser gerado — no planejamento para reduzi-lo na fonte — e termina com a documentação de que cada material recebeu o destino ambientalmente adequado. Neste artigo, você entenderá o que faz esse profissional, quais são suas responsabilidades e como essa carreira está evoluindo no Brasil.

Quem é o gestor de resíduos?

O gestor de resíduos é o profissional responsável por planejar, implementar e monitorar os sistemas de gestão de resíduos sólidos em organizações públicas ou privadas. Ele atua para garantir que os resíduos gerados por uma operação sejam classificados, acondicionados, coletados, tratados e destinados conforme a legislação ambiental vigente — especialmente a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/2010) e a Resolução CONAMA 275/2001.

A formação mais comum para esse profissional inclui graduações em Engenharia Ambiental, Engenharia Química, Biologia, Química, Gestão Ambiental ou Administração, complementadas por especializações em resíduos sólidos ou meio ambiente. O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA) e o Conselho Federal de Biologia (CFBio) regulamentam o exercício profissional conforme a área de formação.

O que o gestor de resíduos faz no dia a dia?

Diagnóstico e classificação de resíduos

Uma das tarefas fundamentais é identificar e classificar os resíduos gerados pela operação, seguindo a norma ABNT NBR 10.004, que divide os resíduos em Classe I (perigosos) e Classe II (não perigosos — inertes e não inertes). Essa classificação determina o nível de cuidado, as embalagens exigidas e as opções de destinação legalmente permitidas para cada tipo de resíduo.

Elaboração e gestão do PGRS

O Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (PGRS) é o documento que descreve como uma empresa vai gerenciar seus resíduos — desde a geração até a destinação final. O gestor é responsável por elaborar, manter atualizado e fazer cumprir esse plano, que em muitos municípios e estados é exigido por lei para obtenção e renovação de licenças ambientais.

Seleção e gestão de fornecedores especializados

O gestor de resíduos não faz tudo sozinho: ele seleciona e contrata transportadores, coletores e destinadores de resíduos licenciados pelos órgãos ambientais competentes. Também é responsável por auditar esses fornecedores, verificando se possuem as licenças adequadas e se estão de fato dando a destinação correta declarada nos contratos e manifestos.

Controle documental e emissão de MTR

No Brasil, o Manifesto de Transporte de Resíduos (MTR) é o documento obrigatório para rastrear a movimentação de resíduos desde o gerador até o destinador final. O gestor de resíduos é responsável por emitir, controlar e arquivar os MTRs de todas as movimentações, utilizando o sistema SINIR (Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão de Resíduos Sólidos) ou sistemas estaduais equivalentes.

Treinamento de equipes

A segregação correta dos resíduos começa no ponto de geração — na bancada do laboratório, na linha de produção, no refeitório, no escritório. O gestor de resíduos treina e sensibiliza os colaboradores para que a separação seja feita corretamente, pois resíduos mal segregados aumentam custos e podem comprometer a reciclabilidade dos materiais.

Monitoramento de indicadores e reportes

Acompanhar indicadores como taxa de reciclagem, custo por tonelada destinada, desvio de aterro e geração por colaborador faz parte da rotina do gestor. Esses dados alimentam relatórios de sustentabilidade, inventários de resíduos exigidos por licenças ambientais e informações para relatórios ESG e auditorias de certificações como ISO 14001.

Setores que mais empregam gestores de resíduos

A demanda por gestores de resíduos é transversal a praticamente todos os setores da economia. Indústrias de transformação (química, farmacêutica, automotiva, alimentícia), hospitais e clínicas (resíduos de saúde são regulamentados pela RDC ANVISA 222/2018), construção civil, mineração, setor de óleo e gás, grandes varejistas e empresas de saneamento ambiental estão entre os maiores empregadores.

Com o crescimento das exigências de ESG, empresas de serviços e tecnologia também passaram a incorporar a gestão de resíduos como parte de suas estratégias de sustentabilidade, ampliando o mercado de trabalho para o profissional.

Desafios e oportunidades da carreira

O principal desafio do gestor de resíduos é equilibrar as exigências legais — que variam por município, estado e tipo de atividade — com os recursos disponíveis e as prioridades de negócio da empresa. Em muitas organizações, a gestão de resíduos ainda é vista como custo, e não como oportunidade de valor. Parte do trabalho do gestor é demonstrar o retorno econômico das boas práticas: redução de custos com destinação, recuperação de materiais com valor, evitar passivos ambientais e multas.

Considerações Importantes

A responsabilidade do gerador não termina quando o resíduo sai do portão da empresa. A Lei 12.305/2010 estabelece o princípio da responsabilidade compartilhada, mas o gerador continua responsável pela destinação adequada mesmo após contratar um terceiro. Por isso, auditoria e rastreabilidade dos fornecedores de gestão de resíduos são parte indispensável da atuação do gestor.

Profissionais interessados na área devem estar atentos às constantes atualizações normativas e às especificidades regionais da legislação ambiental brasileira, que pode variar significativamente entre estados e municípios.

Perguntas Frequentes

Qualquer empresa precisa de um gestor de resíduos?

Empresas que geram resíduos perigosos ou em grandes quantidades são obrigadas por lei a ter um PGRS e, consequentemente, alguém responsável por sua gestão. Para empresas menores, o papel pode ser exercido por um profissional de meio ambiente multifuncional ou um consultor externo.

O gestor de resíduos precisa de registro profissional?

Depende da formação. Engenheiros precisam de registro no CREA; biólogos, no CFBio; gestores ambientais com formação tecnológica, no conselho correspondente. A responsabilidade técnica pelo PGRS geralmente exige a assinatura de um profissional habilitado.

Qual é a faixa salarial de um gestor de resíduos no Brasil?

Varia conforme região, porte da empresa e nível de experiência. Profissionais em início de carreira podem ganhar entre R$ 3.000 e R$ 5.000. Profissionais seniores com especialização e certificações chegam a R$ 8.000–R$ 15.000 ou mais, especialmente em grandes indústrias e projetos de mineração.

O que é o PGRS e quem precisa ter?

O Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos é o documento que descreve as ações de gestão de resíduos de uma empresa. É obrigatório para geradores de resíduos perigosos e para empresas em determinados setores, conforme legislação federal, estadual e municipal.

Como a economia circular impacta o trabalho do gestor de resíduos?

A agenda circular amplia o escopo do gestor: além de garantir a destinação correta, ele passa a atuar na prevenção da geração, na identificação de resíduos com potencial de valorização e na estruturação de parcerias para simbiose industrial e logística reversa. O gestor de resíduos é um agente ativo da transição circular.

A carreira de gestor de resíduos é uma das mais promissoras na área ambiental no Brasil. Com a crescente complexidade regulatória, a pressão por transparência em ESG e a centralidade da gestão de resíduos na agenda climática global, esses profissionais terão papel cada vez mais estratégico nas organizações que quiserem operar com responsabilidade e visão de futuro.

Disclaimer: As informações deste artigo têm caráter informativo e educacional. Dados sobre remuneração e requisitos profissionais são referências gerais e podem variar. Para decisões de carreira ou contratação, consulte fontes atualizadas e especializadas.

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